A Minha História
Sou advogada há mais de 30 anos.

Cresci numa família profundamente ligada ao Direito, acompanhando de perto o percurso do meu pai, o Dr. Rui Nepomuceno, que foi também o meu patrono e a minha maior referência profissional.
Com ele aprendi que a advocacia não se exerce apenas com conhecimento jurídico. Exerce-se com rigor, independência, coragem e, acima de tudo, com respeito pelas pessoas que nos confiam os momentos mais delicados das suas vidas.
Ao longo do meu percurso, fui encontrando no Direito da Família a área que mais me desafia e com a qual mais me identifico. Talvez por ser mãe. Talvez porque nunca consegui aceitar a facilidade com que a sociedade julga uma mãe ou um pai, esquecendo que não existem progenitores perfeitos.
Por vezes, não existe falta de amor. Existem dificuldades, fragilidades e ausência das condições necessárias para cuidar. E existem crianças que precisam de ser verdadeiramente vistas, escutadas e protegidas.
São elas o centro do meu trabalho.
A experiência ensinou-me que, em Direito da Família, não existem fórmulas universais nem soluções que possam ser aplicadas automaticamente. Cada criança tem a sua história. Cada família possui as suas circunstâncias. E cada decisão deve ser pensada de acordo com a idade, os vínculos afetivos, as rotinas, a estabilidade emocional e as necessidades concretas daquela criança.
Durante muitos anos, defendi firmemente a residência alternada. Continuo a considerá-la uma solução positiva quando ambos os progenitores estiveram verdadeiramente presentes na vida dos filhos, partilham os cuidados, conseguem comunicar com respeito e mantêm projetos educativos compatíveis.
Mas a experiência também me mostrou que este regime não serve todas as famílias.
Uma criança não é uma mala que se transporta semanalmente entre duas casas.
Quando existem conflitos permanentes, estilos de vida profundamente diferentes ou incapacidade de cooperação, aquilo que deveria representar equilíbrio pode transformar-se numa fonte de instabilidade.
Não defendo mães contra pais, nem pais contra mães. Defendo que cada situação seja analisada com profundidade, sem preconceitos e sem automatismos, procurando perceber quem aquela criança é e de que necessita para crescer com segurança.
Acredito igualmente que os progenitores não deveriam enfrentar sozinhos processos tão complexos e emocionalmente exigentes. A regulação e a alteração das responsabilidades parentais não se resumem ao preenchimento de um formulário. Por detrás de cada processo existem afetos, medos, conflitos e decisões capazes de marcar toda uma vida.
É por isso que continuo a exercer a advocacia com o mesmo compromisso: ouvir sem julgar, agir com firmeza e procurar, em cada processo, uma solução juridicamente rigorosa, mas também humana.
Porque o superior interesse da criança não pode ser apenas uma expressão escrita na lei. Tem de estar verdadeiramente presente em cada decisão.